29 maio 2010

Prazer

Normalmente aliado a um bom prato,
… uma sobremesa,
… sexo,
… viajar ao infinito,
… o cheiro da maresia,
… deitar nos lençóis brancos numa cama acabada de fazer,
… saborear um café de Timor,
… ler um livro,
… caminhar na natureza,

NADA DISSO.

Prazer é gozar cada segundo com ela.
Quase um ano, sorriso único, olhar expressivo.

20 maio 2010

Reflexões sobre a vida

Durante uma vida, são 60, 70, 80 anos e, às vezes, até mais...
Quando um homem chega aos 70 anos, está capaz de viver a vida com experiência, começam a faltar as forças.
É injusto ter um prazo de validade em que no melhor do conteúdo, a embalagem deteriora-se.

17 maio 2010

No circo

Ilusões e desilusões,
Magia e tropeções.

Um mágico é um ilusionista que nos leva a pensar no que pode ser e não é.
Um trapezista, também tropeça e pode cair.

Jogos de cartas, baralhos com 5 “Ases”, anéis entrelaçados, coelhos na cartola.
Na corda bamba ou no trapézio, o desafio constante à gravidade.

Terá gravidade fazer magia? E iludir?
Cairá “realmente” quem não souber caminhar no fio… sem rede?

Já me iludi.
Vivo no trapézio mas tenho a rede lá em baixo, para além disso, tento caminhar… pé-ante-pé.

26 abril 2010

Menino a crescer… é sempre menino

Os meninos caem muito até ser homens.

Os primeiros passos são dados como se de uma aventura se trate.

Começa-se pelo equilíbrio, depois o levantar do pé.

Pé ante pé, os passos.

Sempre o desejo de alcançar mais, chegar mais longe,

Atingir objectivos.

Chegar até aqui e ali, ultrapassar obstáculos.

Hoje, esfarrapei um joelho.

25 abril 2010

A raiva de ser animal

Sinto raiva dos elefantes que não conseguem esquecer…

Sinto raiva dos camelos que percorrem desertos sem água…

Sinto raiva das crisálidas que se transformam em horas…

Sinto raiva… de não ser um destes animais.

Mas afinal… que animal sou eu?

14 fevereiro 2010

Ordens do Rei

No reino das longínquas terras das letras, o rei:

Ordenou que o carpinteiro deixasse de trabalhar a madeira,
... que o ferreiro deixasse de trabalhar na forja,
... que o bobo deixasse de fazer piadas,
... ainda que os escritores deixassem de escrever as peças para os teatros do reino.
Por fim, ordenou que EU deixasse de te amar.

Com estas medidas houve ajustes dentro das muralhas.
O ferreiro começou a fazer piadas, o carpinteiro trabalhou o ferro, os escritores passaram a escrever em tábuas de madeira e o bobo... bem, este foi dar de comer aos animais.
EU, escrevi este texto para te contar que desobedeci ao Rei, não o deixes ver estas palavras.

15 dezembro 2009

Ser vivo

Coloca-se a semente, o ser cresce…
Alimenta-se, ganha forma e força.
Corpo mais forte, resistente a chuva, sol e vento.
Lentamente cria ligações cada vez mais fortes e mais dispersas.
Abre os braços e dá fruto.
O sangue que lhe percorre derrama com as feridas do tempo.
É apoio de alguém, sombra por vezes.
Veste cor na primavera e tristeza no Outono.
O mais admirável – morre sempre de pé!!!

14 dezembro 2009

O Homem que vestia verde

Vestia de verde todos os dias porque tinha muita esperança.
Camisola verde para ir ao cinema, esperança em ver um bom filme.
Gravata verde para o concerto na esperança de ouvir uma peça bem dirigida.
Amuleto verde para o desporto, não que o seu clube vestisse à cor da relva mas antes na esperança da vitória.
A todos os locais onde ia, com quem se fosse encontrar, verde, sempre verde.

Houve um dia em que pensou que não valia a pena vestir de verde num lugar. Não perdeu a esperança, não desacreditou no que lhe restava. Simplesmente leu num pedaço de papel que encontrou nesse mesmo lugar:
“NÃO”

Então, percebeu que não devia ter esperança em voltar àquele lugar (onde afinal nunca tinha estado a não ser em sonho).

Contudo, o homem não desistiu do verde, o papelito tinha escrito no verso:
“Não é difícil sonhar todas as noites. Difícil é lutar, todos os dias, por um sonho.”

Não deixou de vestir de verde, não deixou de ter esperança, não deixou de sonhar.
Somente não trajou mais a cor da lima naquele lugar.

23 novembro 2009

O incinerador de sonhos

Numa rua estreita e recortada, havia uma loja, muito discreta. Trabalhava lá, apenas um homem. 
O homem tratava de incinerar sonhos. Sonhos de quem achava que não valia a pena por eles lutar.
Das 9h00 às 17h00, todos os dias. Segunda a sexta. Abria o estabelecimento virava a placa já gasta que dizia "Aberto" de um lado e "Fechado" do outro.
Tinha, na montra do seu estabelecimento, uma frase:
"Sonhos. Não compramos nem vendemos. Incineramos."
Havia de tudo:
-- adolescentes que iam entregar os sonhos de ser famoso, rico, loiro, bonito...
-- mulheres que desistiam do príncipe encantado...
-- quarentões finalmente convencidos que não iriam voltar a novos e musculados...
O homem não queria saber muito dos sonhos dos outros. Recebia as caixinhas de sonhos, pesava o sonho e cobrava a incineração. Os clientes esperavam a operação e viam o talão de consumação do facto, depois, até o talão era eliminado.
Um dia, depois de um mês sem que lhe fossem levar uma caixinha de sonho para incinerar, o homem pensou que, se calhar, as pessoas tinham começado a acreditar nos próprios sonhos.
Também ele tinha um sonho, mas não podia concretizá-lo.
Então o homem, na impossibilidade de concretizar o sonho, incinerou-se.
No dia seguinte viram na montra uma nova frase:
"Acabaram as caixinhas, fui sonhar..."

20 outubro 2009

Sonha que vive a sonhar

Era uma vez um homem que tinha um sonho.
Acordou dentro do sonho que queria viver e sonhou acordado dentro do sonho que te teve.
Todas as noites, pensava voltar a sonhar com o sonho que teve para voltar a viver a vida que queria ter no sonho.
Se consegue sonhar todas as noites com o sonho que quer ter numa vida acordada, porque não pode viver todos os dias essa vida que não é um sonho mas um acordado constante?
A vida tem o objectivo de concretizar sonhos. Os sonhos são o abstracto do que se quer concretizar na vida real.
O homem quer sonhar que vive numa vida de sonho… real.