26 abril 2010

Menino a crescer… é sempre menino

Os meninos caem muito até ser homens.

Os primeiros passos são dados como se de uma aventura se trate.

Começa-se pelo equilíbrio, depois o levantar do pé.

Pé ante pé, os passos.

Sempre o desejo de alcançar mais, chegar mais longe,

Atingir objectivos.

Chegar até aqui e ali, ultrapassar obstáculos.

Hoje, esfarrapei um joelho.

25 abril 2010

A raiva de ser animal

Sinto raiva dos elefantes que não conseguem esquecer…

Sinto raiva dos camelos que percorrem desertos sem água…

Sinto raiva das crisálidas que se transformam em horas…

Sinto raiva… de não ser um destes animais.

Mas afinal… que animal sou eu?

14 fevereiro 2010

Ordens do Rei

No reino das longínquas terras das letras, o rei:

Ordenou que o carpinteiro deixasse de trabalhar a madeira,
... que o ferreiro deixasse de trabalhar na forja,
... que o bobo deixasse de fazer piadas,
... ainda que os escritores deixassem de escrever as peças para os teatros do reino.
Por fim, ordenou que EU deixasse de te amar.

Com estas medidas houve ajustes dentro das muralhas.
O ferreiro começou a fazer piadas, o carpinteiro trabalhou o ferro, os escritores passaram a escrever em tábuas de madeira e o bobo... bem, este foi dar de comer aos animais.
EU, escrevi este texto para te contar que desobedeci ao Rei, não o deixes ver estas palavras.

15 dezembro 2009

Ser vivo

Coloca-se a semente, o ser cresce…
Alimenta-se, ganha forma e força.
Corpo mais forte, resistente a chuva, sol e vento.
Lentamente cria ligações cada vez mais fortes e mais dispersas.
Abre os braços e dá fruto.
O sangue que lhe percorre derrama com as feridas do tempo.
É apoio de alguém, sombra por vezes.
Veste cor na primavera e tristeza no Outono.
O mais admirável – morre sempre de pé!!!

14 dezembro 2009

O Homem que vestia verde

Vestia de verde todos os dias porque tinha muita esperança.
Camisola verde para ir ao cinema, esperança em ver um bom filme.
Gravata verde para o concerto na esperança de ouvir uma peça bem dirigida.
Amuleto verde para o desporto, não que o seu clube vestisse à cor da relva mas antes na esperança da vitória.
A todos os locais onde ia, com quem se fosse encontrar, verde, sempre verde.

Houve um dia em que pensou que não valia a pena vestir de verde num lugar. Não perdeu a esperança, não desacreditou no que lhe restava. Simplesmente leu num pedaço de papel que encontrou nesse mesmo lugar:
“NÃO”

Então, percebeu que não devia ter esperança em voltar àquele lugar (onde afinal nunca tinha estado a não ser em sonho).

Contudo, o homem não desistiu do verde, o papelito tinha escrito no verso:
“Não é difícil sonhar todas as noites. Difícil é lutar, todos os dias, por um sonho.”

Não deixou de vestir de verde, não deixou de ter esperança, não deixou de sonhar.
Somente não trajou mais a cor da lima naquele lugar.

23 novembro 2009

O incinerador de sonhos

Numa rua estreita e recortada, havia uma loja, muito discreta. Trabalhava lá, apenas um homem. 
O homem tratava de incinerar sonhos. Sonhos de quem achava que não valia a pena por eles lutar.
Das 9h00 às 17h00, todos os dias. Segunda a sexta. Abria o estabelecimento virava a placa já gasta que dizia "Aberto" de um lado e "Fechado" do outro.
Tinha, na montra do seu estabelecimento, uma frase:
"Sonhos. Não compramos nem vendemos. Incineramos."
Havia de tudo:
-- adolescentes que iam entregar os sonhos de ser famoso, rico, loiro, bonito...
-- mulheres que desistiam do príncipe encantado...
-- quarentões finalmente convencidos que não iriam voltar a novos e musculados...
O homem não queria saber muito dos sonhos dos outros. Recebia as caixinhas de sonhos, pesava o sonho e cobrava a incineração. Os clientes esperavam a operação e viam o talão de consumação do facto, depois, até o talão era eliminado.
Um dia, depois de um mês sem que lhe fossem levar uma caixinha de sonho para incinerar, o homem pensou que, se calhar, as pessoas tinham começado a acreditar nos próprios sonhos.
Também ele tinha um sonho, mas não podia concretizá-lo.
Então o homem, na impossibilidade de concretizar o sonho, incinerou-se.
No dia seguinte viram na montra uma nova frase:
"Acabaram as caixinhas, fui sonhar..."

20 outubro 2009

Sonha que vive a sonhar

Era uma vez um homem que tinha um sonho.
Acordou dentro do sonho que queria viver e sonhou acordado dentro do sonho que te teve.
Todas as noites, pensava voltar a sonhar com o sonho que teve para voltar a viver a vida que queria ter no sonho.
Se consegue sonhar todas as noites com o sonho que quer ter numa vida acordada, porque não pode viver todos os dias essa vida que não é um sonho mas um acordado constante?
A vida tem o objectivo de concretizar sonhos. Os sonhos são o abstracto do que se quer concretizar na vida real.
O homem quer sonhar que vive numa vida de sonho… real.

19 outubro 2009

Os mais baixos não são menores

Era uma vez, John X, um piloto de um avião bombardeiro.
Arrogante, com a ideia de ser o mais inteligente da aviação.
Todos os dias, fazia questão de ser admirado pelos alunos da aviação, passeando-se na pista do porta-aviões sem os saudar.
Naquele porta-aviões, os alunos estavam encarregues de dobrar os pára-quedas dos pilotos. Era uma forma de aprenderem e de ter a responsabilidade de vidas nas suas mãos.
Naquela madrugada, John X e os restantes tripulantes foram acordados pelas campainhas de alarme, não era um exercício.
Uma missão nas ilhas Z.
Ao aproximar-se para atacar, o avião de John X foi atingido. O experiente piloto ejectou-se e aterrou de pára-quedas no meio da densa floresta.
Viveu cerca de cinco anos nas ilhas Z depois de ter sido torturado pelos nativos.
Quando já não acreditava em sair de lá, um acordo diplomático terminara com o sofrimento de todos.
John X volta a casa.
Começou a dar palestras aos aspirantes da escola de aviação civil. Toda a sua experiência de sobrevivência seria uma mais-valia.
Num daqueles domingos em que John X passeava pela praia, encontrou um jovem pai a brincar com o seu filho e o avião telecomandado.
O homem fixou John X e disse-lhe:
- Lembra-se de mim?
John X nunca tinha visto tal face.
- John X? Muito prazer. Fiquei muito feliz por saber que não falhei. Sou um ex-aluno da escola de aviação. Era eu que estava encarregue de dobrar o seu pára-quedas. Fi-lo sem saber quem se serviria daquele equipamento.
John X abraçou-o e não teve nem uma palavra para lhe agradecer a vida.

A partir de então, as palestras aos novos pilotos começavam desta forma:
“Bom dia a todos, quem dobrou o vosso pára-quedas hoje?”

15 outubro 2009

Onde se escondem os homens

Atrás de uma cara de vencedor, por vezes, vencido a cada acto.
Atrás de uma máquina de grande velocidade, que não faz andar nem uma ideia.
Atrás de um sonho que nunca se torna real mas que vive intensamente toda a vida.
Atrás das armas de pólvora seca que apagam os adversários em vez de os vencer.
Atrás de tanques e buldozer’s eliminam os obstáculos em vez de os ultrapassar.
Atrás de ideias que não são deles e que as defendem até ao dia em que se chega ao “kernel” e se percebe que, afinal, o pensador tem outro nome.
Atrás da retórica e das onomatopeias ininteligíveis que resultam numa transliteração rica em sons mas oca em sentido.
Atrás de sucessos atingidos com degraus humanos.

Já os Homens – esses mantêm os valores das fachadas antigas e recuperam os interiores de modo a serem tornados mais úteis, mais dignos.
Os Homens dão importância a cada elemento do puzzle de peças infinitas sem as quais não se pode preencher o quadro.
Os Homens não se escondem, só não precisam de se vestir de uma cor forte para serem vistos.

13 outubro 2009

Querer é... vencer

Disseram-me que eu não jogava nada!!!

Tenho alguns problemas a defender e outros tantos a atacar.
Não sou o melhor no um-para-um,
Fico várias vezes em fora-de-jogo,
Nunca marquei um golo de cabeça,
A bola escapa-se-me algumas vezes dos pés,
Tacticamente preciso de treino,
Em termos de condição física, preciso melhorar,
Não tenho altura para central,
Não tenho pulmão para médio,
Nem tenho velocidade para o ataque,

Um dia vou marcar um golo num mundial!!!