19 outubro 2009

Os mais baixos não são menores

Era uma vez, John X, um piloto de um avião bombardeiro.
Arrogante, com a ideia de ser o mais inteligente da aviação.
Todos os dias, fazia questão de ser admirado pelos alunos da aviação, passeando-se na pista do porta-aviões sem os saudar.
Naquele porta-aviões, os alunos estavam encarregues de dobrar os pára-quedas dos pilotos. Era uma forma de aprenderem e de ter a responsabilidade de vidas nas suas mãos.
Naquela madrugada, John X e os restantes tripulantes foram acordados pelas campainhas de alarme, não era um exercício.
Uma missão nas ilhas Z.
Ao aproximar-se para atacar, o avião de John X foi atingido. O experiente piloto ejectou-se e aterrou de pára-quedas no meio da densa floresta.
Viveu cerca de cinco anos nas ilhas Z depois de ter sido torturado pelos nativos.
Quando já não acreditava em sair de lá, um acordo diplomático terminara com o sofrimento de todos.
John X volta a casa.
Começou a dar palestras aos aspirantes da escola de aviação civil. Toda a sua experiência de sobrevivência seria uma mais-valia.
Num daqueles domingos em que John X passeava pela praia, encontrou um jovem pai a brincar com o seu filho e o avião telecomandado.
O homem fixou John X e disse-lhe:
- Lembra-se de mim?
John X nunca tinha visto tal face.
- John X? Muito prazer. Fiquei muito feliz por saber que não falhei. Sou um ex-aluno da escola de aviação. Era eu que estava encarregue de dobrar o seu pára-quedas. Fi-lo sem saber quem se serviria daquele equipamento.
John X abraçou-o e não teve nem uma palavra para lhe agradecer a vida.

A partir de então, as palestras aos novos pilotos começavam desta forma:
“Bom dia a todos, quem dobrou o vosso pára-quedas hoje?”

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