07 agosto 2007

Na biblioteca

No meio de livros e estantes...
Estou pensativamente a passar os olhos pela página de um livro do qual não sei o título e que peguei ao acaso.
Cada vez que levanto a cabeça, vejo-te a entrar num pensamento mais profundo. Estás diante de papéis que te alheiam de todo o resto.
Não sei o que fazer para te chamar a atenção e te fazer olhar para mim. Estás mesmo concentrada. Não quero provocar-te uma má reacção pois posso interromper um importante raciocínio de uma qualquer operação matemática, ou de uma frase que precisas acabar para completar o texto sobre um filósofo qualquer.
Estamos num mundo do conhecimento e, cada vez mais, desconhecido. Cada vez que aprendemos algo, ficamos a saber que sabemos ainda menos de um universosem fim.
Em que galáxia de inteligência vivemos nós?
Em que vaivém posso eu entrar para ir de encontro ao teu pensamento... Paras um pouco, levantas o olhar e ficas a contemplar o infinito por entre os estores semitransparentes desta casa de livros.
Para que olhas? O que procuras saber? O que queres alcançar?
Não sei o que leio neste livro sem história, mas estou a gostar protagonista que ocupa a minha lógica de juízos.
Quem andará a passear nesse olhar distante…
Kafka? – e quererás transformar-me em algo invisível?
Pitágoras? – e será uma questão de cálculo?
Nietsche? – e estarei no meio de uma teoria sem fundamento?
Eiffel? – e estarás a conceber uma obra de engenharia para levantar algo?
Gostava de saber… mas se eu descobrir, talvez perceba que sei cada vez menos, ou talvez fique a saber que o melhor terá sido não saber mais do que devia.
Prendeste-me a lógica, prendeste-me o pensamento, prendeste-me o olhar…
Mas se a casa dos livros é a porta de acesso ao conhecimento, acaba por ser também o meio para atingir o que está mais além, faz-nos ultrapassar barreiras, faz-nos ser livres à nossa maneira dentro do que queremos atingir…
Mas também podemos ter limites só porque estamos dentro desta casa que nos atribui certas capacidades ou limitações. Esta casa permite-me ver-te com frequência, mas também me aperta o “raio de acção”…
Entretanto, no meio deste pensamento, olhas-me fixamente mas parece que não me vês. Será que estás a olhar-me com um daqueles pensamentos bem longe daquilo que te passa pela retina?
Não!
Quero acreditar que desta vez me viste.
De repente… arrumas os papéis, é hora de sair.
Amanhã cá estarei. Procurarei o mesmo lugar, um local de onde te posso ver, ainda que discretamente, sem saber se me vês, ou se me queres ver… mas sabendo que também cá estarás…

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